Feminicídio em alta
- Francis Júnior Jornalista

- 23 de jul.
- 2 min de leitura
Uma das causas: a cultura de violência contra mulheres!

Em Belo Horizonte, nesta semana, foram registrados dois assassinatos e uma tentativa. Uma capitã da PM foi morta pelo companheiro, um sargento da PM que está preso. Uma outra vítima foi encontrada morta no apartamento. O autor, seu namorado, confessou o crime e também está preso. No terceiro caso, um homem jogou a companheira do terceiro andar, mas ela sobreviveu. O criminoso está preso.
Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), contabilizados pela Polícia Civil, revelam que Minas Gerais registrou, entre janeiro e maio deste ano, 148 casos de feminicídio consumado ou tentado, apenas um a menos do que no mesmo período do ano passado, quando foram contabilizadas 149 ocorrências. De acordo com a Sejusp, há um feminicídio a cada dois dias no estado.
Além do feminicídio
Segundo as estatísticas, somente entre janeiro e maio deste ano, 70.036 mulheres procuraram as autoridades após sofrerem algum tipo de violência em Minas Gerais. O levantamento inclui ocorrências de ameaça, lesão corporal, violência psicológica, perseguição, agressões físicas e outros crimes previstos na Lei Maria da Penha.
As causas
Os números revelam uma média de quase 13 vítimas de feminicídio por mês no estado. Isso significa que, a cada dois dias e sete horas, uma mulher é morta simplesmente por ser mulher, quase sempre dentro de relações marcadas por violência doméstica, controle, ciúmes ou posse.
Como evitar
A presidente da Comissão de Enfrentamento à Violência contra a Mulher da Ordem dos Advogados do Brasil em Minas Gerais, Isabel Araújo Rodrigues, ressalta que o feminicídio representa o estágio mais extremo de um ciclo de violência que começou muito antes, muitas vezes ignorado por familiares, amigos, vizinhos e até pelas instituições responsáveis pelo acolhimento. “As pequenas violências cotidianas precisam da nossa atenção, porque elas vão se agravar com o tempo. O feminicídio é um crime evitável, desde que a gente consiga enfrentar essas pequenas violências”, ressalta.
Discurso de ódio
Para a advogada Isabel Araújo Rodrigues, os índices demonstram que o problema extrapola a esfera criminal e está diretamente ligado à cultura de violência contra as mulheres. “Nós enfrentamos os desafios de discursos de ódio contra as mulheres, que vêm se multiplicando, especialmente no ambiente virtual, e acabam fomentando e se consolidando por meio da violência no mundo real”, afirma.
Estrutura de proteção
A especialista avalia que o enfrentamento da violência também passa pela reconstrução das políticas públicas destinadas às mulheres. Segundo ela, Minas Gerais ainda apresenta deficiências importantes na estrutura de proteção, especialmente quando se trata de ampliar a rede de acolhimento e garantir acesso rápido aos serviços especializados.
“Além dos aspectos culturais, a gente precisa falar sobre o desmantelamento das políticas para as mulheres no nosso estado e sobre os desafios enfrentados pela falta de orçamento para políticas públicas nessa área. O plano de metas de Minas Gerais para o enfrentamento da violência contra as mulheres não traz, de forma robusta, a ampliação de equipamentos de proteção, de políticas de abrigamento ou do número de delegacias especializadas. Isso é um problema e acaba se refletindo no aumento da violência”, diz.
























Comentários